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Probióticos ajudam crianças com alergia alimentar

Se considerarmos que as alergias são reações de defesa do organismo a agentes que, a princípio, são considerados nocivos, é instintivo imaginar que precisamos de escudos para proteção. São dois os pilares que constroem as alergias. Um deles está diretamente ligado à herança genética. Ser filho de pais alérgicos pode significar herdar esta condição. O outro pilar diz respeito a fatores ambientais.

Em se tratando das alergias alimentares, elas trazem muita preocupação aos pais, principalmente quando a criança tem alergia à proteína do leite de vaca. O diagnóstico demorado que envolve várias idas ao médico, muita restrição na hora das refeições (eliminação de leite e derivados, como iogurte, manteiga, queijos) e o dia a dia em creche e escolas para lidar com esta condição são verdadeiros desafios à família. 

Uma boa notícia é que os probióticos  podem ser potencialmente benéficos para ajudar nesta condição. O uso de probióticos tem sido explorado como opção terapêutica para a alergia alimentar. A maior parte dos estudos foi realizada com o Lactobacillus rhamnosus GG (LGG®), cepa segura para utilização em crianças e bebês. 

Um estudo recente (2020) avaliou o papel desta cepa probiótica, em crianças com alergia à proteína do leite da vaca e foi demonstrado melhora dos sintomas após 4 semanas de uso do probiótico.

Uma vez que alergias e a imunidade estão correlacionadas e que 70% das células imunológicas encontram-se no intestino, o uso contínuo de probióticos pode controlar a proliferação de bactérias patogênicas que possam causar algum desequilíbrio e assim afetar o sistema imunológico. 

Benefícios antes do nascimento

Os probióticos são microrganismos vivos (bactérias boas) que, quando ingeridos em quantidades adequadas, interagem com a microbiota intestinal e têm um papel importante no restabelecimento de seu equilíbrio. A ação dos probióticos no organismo tem um tempo de resposta.  Quando usados durante a gravidez, por exemplo, os probióticos têm ações benéficas a longo prazo para o bebê, modulando o sistema imunológico e agindo na prevenção de doenças não infecciosas, metabólicas e alergias.

Vale reforçar que o aleitamento materno também ajuda a fortalecer o sistema imunológico. Uma criança que não foi amamentada está mais vulnerável a processos alérgicos ao longo da vida.  

Lembrando que bebês e crianças alérgicas precisam de acompanhamento médico. 

 

Referências:

1.Funkhouser LJ, Borderstein SR. Moms knows best: the universality of maternal microbial transmission. PLoS Biol. 2013;11(8):e1001631.

2.Laitinen K, Isolauri E. Management of food allergy: vitamins, fatty acids or probiotics? Eur J Gastroenterol Hepatol 2005; 17:1305-11.

  1. Mimouni Bloch A, Mimouni D, Mimouni M, Gdalevich M. Does breastfeeding protect against allergic rhinitis during childhood? A meta-analysis of prospective studies. Acta Paediatr 2002;91:275-9
  2. Gdalevich M, Mimouni D, Mimouni M. Breast-feeding and the risk of bronchial asthma in childhood: a systematic review with meta-analysis of prospective studies. J Pediatr 2001;139:261-6.         
  3. Basturk A, Isik İ, Atalay A, Yılmaz A. Investigation of the Efficacy of Lactobacillus rhamnosus GG in Infants With Cow’s Milk Protein Allergy: a Randomised Double-Blind Placebo-Controlled Trial. Probiotics Antimicrob Proteins. 2020 Mar;12(1):138-143.