Diarreia e disenteria: principais diferenças e como identificar

Apesar de confundidas, diarreia e disenteria não são a mesma coisa, têm causas e tratamentos diferentes
Nem todo episódio de evacuação líquida e frequente pode ser classificado da mesma forma. Muitas pessoas confundem os termos “diarreia” e “disenteria”, acreditando que são sinônimos, mas há diferenças importantes entre eles. Entender essas distinções é determinante para identificar o problema corretamente e buscar o cuidado mais adequado.
Enquanto a diarreia costuma ter um curso mais leve e, na maioria das vezes pode ser tratada em casa sem complicações, a disenteria exige atenção redobrada, já que pode estar associada a infecções mais graves e inflamações intestinais.
Qual a diferença entre a diarreia e a disenteria?
A principal diferença entre diarreia e disenteria está nas suas características.
A diarreia caracteriza-se por evacuações líquidas e frequentes, com ou sem restos alimentares, muitas vezes acompanhadas por gases e dor abdominal. Já a disenteria, é definida por evacuações amolecidas apresentando sangue e/ou muco. É comum haver dor abdominal mais intensa e febre mais alta.
Por serem condições diferentes, podem exigir cuidados distintos.
Diarreia: causas, duração e sintomas comuns
A diarreia pode ter várias causas, como infecções virais, a exemplo do rotavírus e norovírus, mas também pode ocorrer por alterações na dieta, intolerância alimentar e até mesmo pelo uso de antibióticos. Em geral, é autolimitada e se resolve em poucos dias.
Embora desconfortável, a maioria dos casos de diarreia não representa risco grave e pode ser manejada em casa com cuidados simples, como hidratação e alimentação leve.
O principal ponto de atenção durante um episódio de diarreia é a perda de líquidos e eletrólitos, especialmente em crianças e idosos, pois há maior risco de desidratação, que pode levar a complicações severas.
Disenteria: quando há inflamação e sinais de alerta
Na disenteria a inflamação intestinal é mais intensa, com presença de sangue e muco nas fezes.
De origem infecciosa, causada por bactérias como Shigella ou protozoários como Entamoeba histolytica, seus sintomas podem ser mais graves.
Além das evacuações com sangue, é comum que o paciente apresente febre alta, dor abdominal intensa e sensação contínua de urgência para evacuar, mesmo com o intestino já esvaziado. Por se tratar de uma condição potencialmente mais grave, a disenteria exige avaliação médica imediata.
Apesar de muitas vezes ser auto limitada, pode incluir o uso de antibióticos ou antiparasitários, sempre com prescrição e acompanhamento profissional. Em casos mais graves, pode haver necessidade de internação para reposição intravenosa de líquidos.
Como tratar e recuperar o intestino após episódios agudos?
Hidratação, alimentação leve e monitoramento médico
Após episódios de diarreia e disenteria, o primeiro cuidado deve ser a hidratação. A ingestão de água, água de coco e soluções reidratantes orais é fundamental para repor os líquidos e sais minerais perdidos.
A alimentação também deve ser adaptada. Recomenda-se dar preferência a alimentos de fácil digestão, como arroz, batata cozida, banana, maçã sem casca e frango grelhado. Produtos industrializados, gordurosos ou com muitos condimentos devem ser evitados.
É importante monitorar a evolução dos sintomas. Se houver manifestações persistentes de sangue nas fezes, febre alta, vômitos constantes ou sinais de desidratação, a busca por atendimento médico deve ser rápida.
Papel dos probióticos no suporte à microbiota intestinal
Durante e após episódios de diarreia ou disenteria, a microbiota intestinal pode sofrer alterações. Os probióticos são aliados para auxiliar na recuperação do equilíbrio intestinal. Eles são micro-organismos que ajudam no funcionamento adequado do intestino.
Essas bactérias “do bem” são essenciais na digestão, na absorção dos nutrientes e na defesa do corpo contra futuros invasores. Repor essa flora também ajudará a evitar novos episódios de diarreia e disenteria.
A cepa Lactobacillus rhamnosus GG (LGG®) tem capacidade de se manter viva no intestino, apesar da acidez do estômago, e contribuir para o restabelecimento do bom funcionamento intestinal. Probióticos com LGG® são comprovadamente seguros para crianças, adolescentes, adultos, idosos, grávidas e lactantes.
Quando buscar orientação médica?
Em crianças pequenas, idosos ou pessoas com imunidade comprometida, qualquer quadro de diarreia prolongada deve ser avaliado com mais atenção, já que o risco de complicações é maior.
Esse grupo é mais facilmente suscetível à desidratação. Quando há sinais como, boca seca, choro sem lágrimas, baixa frequência na urina, tonturas e confusão mental, é hora de buscar ajuda.
Como prevenir diarreia ou disenteria?
O velho ditado é verdadeiro: melhor prevenir do que remediar. A primeira coisa importante a considerar é a origem dos alimentos consumidos e a qualidade da água. Casos de diarreia e disenteria estão frequentemente associados à contaminação das refeições e bebidas ou falta de higiene na manipulação e preparo dos alimentos.
Lavar as mãos sempre, preparar ou armazenar as refeições em temperaturas adequadas que vão eliminar ou prevenir contaminações são os cuidados mais básicos que vão evitar esses desconfortos.
(LGG® é uma marca registrada da Chr. Hansen A/S.)
Referências:
- https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/4108-diarréia
- https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/23567-disenteria
- Hemarajata P, Versalovic J. Efeitos dos probióticos na microbiota intestinal: mecanismos de imunomodulação e neuromodulação intestinal. Therap Adv Gastroenterol. 6(1):39-51. doi: 10.1177/1756283X12459294.
- Capurso L. Trinta anos de Lactobacillus rhamnosus GG: uma revisão. J Clin Gastroenterol. 2019 Mar;53 Supl. 1:S1-S41.