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Pilares para uma infância saudável: quantidade, variedade e qualidade da comida no prato

Mesmo na correria do dia a dia, é preciso que os pais tenham atenção sobre a quantidade, a qualidade e a variedade dos alimentos que as crianças consomem.  Uma alimentação balanceada nos primeiros anos de vida ajuda no desenvolvimento integral destas crianças, prevenindo os erros nutricionais quantitativos clássicos, como a desnutrição e a obesidade, além dos erros qualitativos, como as carências de micronutrientes, por exemplo a anemia e deficiências vitamínicas, que podem estar presentes mesmo em crianças aparentemente saudáveis (é o que chamamos de fome oculta).

É preciso pensar ainda que fazer as refeições corretamente vai contribuir com a microbiota intestinal e, assim, ajudar o corpo nos processos de digestão, além de protegê-lo de diversas doenças. Desta maneira, a microbiota saudável na infância é reflexo da qualidade dos alimentos que colocamos no prato.

Para o pediatra Bruno Paes Barreto, coordenador da região norte da Sociedade Brasileira de Pediatria, está muito claro que a ingestão balanceada de macro e micronutrientes favorece a um perfil eubiótico na população de microrganismos do trato digestório, produzindo efeitos metabólicos e/ou imunológicos positivos, que culminariam com uma menor prevalência de doenças crônicas não-transmissíveis, como a obesidade, o diabetes, a síndrome metabólica e doenças imunomediadas como as alergias.

Segundo o pediatra, vários estudos corroboram essa boa prática para uma infância sadia, que se refletirá numa vida adulta saudável, também. Vale lembrar que uma alimentação rica em legumes e vegetais, com alto teor de fibras, como feijão, ervilha, cereais integrais e frutas – ainda que às vezes nem tão presentes no prato kids – têm papel fundamental no equilíbrio da microbiota intestinal, com maior quantidade de bifidobactérias e lactobacilos, que estariam diretamente relacionados ao equilíbrio metabólico e imunológico, por meio da produção dos ácidos graxos de cadeia curta.1

Se quisermos potencializar esta ação, seria possível ainda, acrescentar à dieta da criança, suplementações contendo probióticos, como por exemplo o Lactobacillus rhamnosus GG (LGG), que são microrganismos vivos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, trazem benefícios à saúde do indivíduo, em qualquer idade, contribuindo para a melhor absorção de nutrientes e vitaminas, além de proteger a mucosa intestinal contra a penetração de microrganismos patogênicos.2,3

Referência

  1. Singh RH. et al. Influence of diet on the gut microbiome and implications for human health. J Transl Med. 2017; 15: 73.
  2. Capurso L. Thirty Years of Lactobacillus rhamnosus GG: A Review. J Clin Gastroenterol 2019; 53: S1–S41.
  3. Funkhouser LJ, Borderstein SR. Moms knows best: the universality of maternal microbial transmission. PLoS Biol. 2013; 11(8): e1001631.